Ataliba Teixeira de Castilho, linguista e autor da Nova Gramática do Português Brasileiro, em vídeo outrora apresentado pelo Museu da Língua Portuguesa, afirmava que os jornalistas, tidos como pessoas que escrevem para as massas, são responsáveis pela transmissão da língua culta. Ao menos, deveriam ser, na nossa opinião.

Infelizmente, vemos erros gramaticais (comecemos por eles, que são os mais simples) crassos em inúmeros veículos escritos de comunicação. No entanto, esses veículos têm uma característica que prejudica pouco a transferência da informação: são voláteis, oferecem notícia nova todo dia e, portanto, mudam os respectivos erros diariamente.

Os livros, por outro lado, têm uma característica mais perene: por mais que alguns tenham várias edições, suas impressões (e respectivas versões digitais) perduram por anos e anos. Consequentemente os erros de linguagem que trazem consigo também.

Minha obsessão com a forma na maioria das vezes é maior do que com o conteúdo e, por isso, sempre leio livros impressos com um lápis grafite na mão – não poder fazer minhas anotações nos kindles e tablets da vida é uma das razões que atrapalham minha interação com tais aparelhos de leitura.

Assim, acabo encontrando equívocos gramaticais, de sintaxe, de concordância verbo-nominal, de coesão, de coerência, nas obras que leio e, depois de muito confabular sobre meu incômodo, resolvi aglutinar meus achados aqui.

Assim como eu, Carolina Serpa é obcecada por correções nas leituras que faz. Isso, inclusive, é uma das características que nos une e a razão por que ela está comigo nesta empreitada.

Concordamos que todas as editoras têm (ou deveriam ter) em seu quadro de funcionários revisores aptos a corrigir eventuais equívocos cometidos pelos escritores. Parece-me que o fato de eles existirem e fazerem seu trabalho não tem sido suficiente. Quem trabalha com a palavra escrita sabe que erros passam. Sabemos o que escrevemos, temos familiaridade com o conteúdo e nossos olhos acabam nos enganando. Isso é absolutamente normal.

O que defendemos é um pouco mais de cuidado, uma revisão dupla, uma passada de vista de segundo ou terceiro par de olhos em todo livro prestes a ir ao prelo. Caso tal cuidado siga sem existir, não haverá como defender os linguistas que advogam a possibilidade de o ensino do português culto ser um dia realizado sem o uso da gramática tradicional. Como é possível desejar que a transmissão desse tipo de conhecimento seja intuitiva se o que está no papel (ou na tela) não corresponde ao correto? Queremos passar adiante nossos equívocos? Defendo uma resposta negativa a essa pergunta.

Ainda, sem pretender debater acerca do possível uso da norma culta como instrumento de dominação para discriminar aqueles que não sabem escrever ou falar corretamente, levantamos, em defesa do nosso trabalho, um questionamento: será que tudo o que não é de domínio da população em geral deixa de ser o que é somente por essa razão? Cremos que não funciona exatamente assim, vez que certas definições científicas seguem verdadeiras mesmo não sendo conhecidas por todos: 2+2 permanece igual a quatro, a hipotenusa continua sendo a soma dos quadrados dos catetos, a fórmula da glicose ainda é C6H12O6, apenas para citar alguns exemplos.

A título de esclarecimento, os apontamentos presentes não estão esgotados nem são definitivos. A ideia é fazer um apanhado de erros encontrados em alguns livros e colocá-los aqui. Quem sabe as editoras encontram este trabalho e fazem os ajustes, não é mesmo?

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